Sexta-feira, Março 11, 2005

Requalificação II

Num pomposo evento do qual poucas pessoas pessoas sabiam que existia chamada agenda 21, o presidente da câmara municipal de Vila Real referiu a política ambiental da cidade da qual se orgulhava particularmente. Como não podia deixarde ser a requalificação ribeirinha veio à baila e um participante mais participativo trouxe p´ra conversa o caso já mencionado no artigo do Prof. Daniel, referindo que na UTAD tinha havido um "indivíduo" que se tinha pronunciado sobre o corte de árvores, foi risada geral...

Quarta-feira, Março 09, 2005

"Requalificação Urbana" de Rios vs. Requalificação de "Rios Urbanos"

Nas margens do rio corgo.

Obra do Polis destrói floresta ribeirinha em Vila Real...
Celeste Pereira in Público

Trabalho de "reabilitação ambiental" pode ter comprometido irremediavelmente uma valiosa mancha florestal.

Era uma das mais importantes manchas florestais ribeirinhas de Vila Real. Situava-se nas margens do rio Corgo, entre a Ponte da Timpeira e as piscinas municipais, e foi devastada, de uma forma que pode ser irreversível, para a construção de um caminho pedestre. Ironicamente, o atentado foi concretizado pelo programa Polis, que tem como objectivo a requalificação ambiental dos espaços. A sociedade Polis de Vila Real alega que "nada está irremediavelmente perdido".

Foi com base no "elevado interesse ambiental" da mancha arbórea ribeirinha existente entre as piscinas municipais e a Ponte da Timpeira que a sociedade Polis de Vila Real justificou o projecto para a construção do caminho pedestre, "natural" nesta área. Contudo, a obra que agora está em execução pode ditar o fim do ambiente natural que, afinal, se prometia preservar. Isto porque, para a construção do caminho projectado, com dois metros de largura, o empreiteiro responsável, Alberto Couto Alves, SA, abriu largos estradões em terra batida para a passagem de camiões pesados e deslocou para o local maquinaria pesada, como uma retroescavadora de placa giratória, destruindo assim uma cortina vegetal com largas dezenas de anos, composta, entre outras espécies, por salgueiros, freixos e amieiros.No local das obras, saltam ainda à vista aterros contínuos sobre o rio Corgo e o responsável pela obra não fez qualquer talude de contenção de terras para impedir que estas derramassem pela linha de água dentro. Como resultado, além da destruição de margens, é visível, ao longo do leito do rio, uma elevada quantidade de sedimentos.Foi este cenário de destruição que Rui Cortes, professor catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, especialista na área do Ambiente, encontrou quando, recentemente, foi ao local, alertado por um aluno seu, que acabava de fazer uma denúncia à Brigada do Ambiente da GNR.
"Quando vi isto, fiquei em pânico", conta o universitário na visita que esta semana efectuou ao local com o PÚBLICO."Isto era uma zona densíssima de floresta ribeirinha, com uma galeria arbórea muito bem estruturada e com elevado valor em termos de biodiversidade. Era uma das zonas mais importantes do ponto de vista da conservação... Agora é um estradão! O Polis rebentou com o que havia de mais precioso na cidade de Vila Real", dispara o catedrático
Há cerca de dois anos, Rui Cortes liderou o estudo de caracterização de "habitats" realizado pela universidade transmontana para o Polis sobre a área agora em risco, documento que concluiu ser esta uma zona de "especial interesse conservacionista". E foi precisamente por recear prejuízos ambientais que o universitário, que integra a comissão de acompanhamento do programa Polis em Vila Real, se chegou a opor ao projecto de construção de um caminho, mesmo que pedonal, na zona em causa.Cortes admite, contudo, que o projecto estava "relativamente bem feito" e que incluía medidas de salvaguarda e minimização de impacte ambiental da obra, além de um estudo de incidência ambiental. A obra conjugava, assim, alegadamente, todos os factores para correr bem.Não correu assim e o problema, segundo o universitário, teve a ver com a "escolha da maquinaria errada" e a falta de medidas de protecção de margens. Rui Cortes, cuja área de especialização é precisamente a requalificação de rios - acaba de publicar uma obra sobre o tema -, argumenta que a construção de um caminho pedestre numa área sensível do ponto de vista ambiental "tem que ser sempre uma intervenção cirúrgica" e em "função da topografia do terreno". Segundo diz, a actual destruição provocou prejuízos ambientais "incalculáveis", além de deixar os próprios terrenos mais permeáveis à erosão e à invasão de infestantes. Acresce, sublinha, que a sedimentação do rio "afectará a desova" dos peixes. E o professor garante que a recolonização vegetal é "completamente impossível". "É claro que podem dizer que vão recuperar isto no final da obra, mas nunca se recupera uma galeria ribeirinha virgem", remata.

Terça-feira, Março 08, 2005

Para os especialistas

A Comissão Europeia anunciou que se alcançou um consenso sobre a proposta para uma nova directiva sobre as baterias e os acumuladores. Há anos que se aguardava esta revisão. Em comparação com a Directiva 91/157/CEE, a nova proposta apresenta importantes elementos como as taxas e níveis de reciclagem obrigatórios, os mecanismos financeiros em relação aos produtores ou ainda a proibição parcial de baterias portáteis de cádmio. Para se avaliar melhor os benefícios que a nova Directiva vai trazer para o ambiente basta salientar que presentemente se vendem na UE cerca de 158 mil toneladas de pilhas e acumuladores portáteis e aproximadamente 58 milhões de baterias para automóveis, num total de 870 mil toneladas.O principal problema colocado pelas pilhas e pelos acumuladores, o seu conteúdo em metais pesados (mercúrio, chumbo e cádmio), deverá assim ter uma importante solução.Um dos aspectos do consenso que mais crítica mereceu foi o do prazo relativamente longo (oito anos) para a meta da taxa de recolha de 45 por cento. Independentemente deste e de outros senãos, a Directiva terá apenas sucesso se houver um elevado grau de participação na recolha e reciclagem, não só por parte dos utilizadores finais como por parte de todos os produtores.

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

"Streambarómetro" a crítica que faz a diferença

Caríssimas e Caríssimos,

Começo por agradecer a todos aqueles que colaboraram com o blog durante este mês de Fevereiro.

Neste novo mês que dá entrada daqui a pouco, proponho a introdução do “STREAMBARÓMETRO”. O conceito é muito simples. Todas as semanas (vamos tentar que assim seja) colocaremos no blog notícias, descobertas, medidas políticas, ou situações curiosas relacionadas com a temática “Ambiente”. Assim, os aspectos positivos serão designados por INSTREAM e os negativos por OUTSTREAM, criando uma espécie de barómetro das actualidades (e não só) ambientais. O objectivo é informar e ao mesmo tempo poder comentar os temas do “streambarómetro”.
INSTREAM:
O grupo de investigação do Laboratório de Engenharia Física de Filmes e Superfícies, do Centro de Física e Investigação Tecnológica (CEFITEC) desenvolve protótipos de painéis solares a partir do projecto ECOCLIMAT.
Estes filmes fotovoltaicos podem revestir fachadas, telhados, telhas, e superfícies irregulares de edifícios, permitindo o fornecimento de energia à rede eléctrica nacional, dispensando por isso os incómodos acumuladores. Deste modo, qualquer edifício ou construção poderá estar ligado à rede eléctrica e a partir de um contador bi-direccional é possível fazer o saldo entre a energia gasta e a energia introduzida na rede. Cá está uma excelente ideia para diminuir a factura mensal de electricidade e ao mesmo tempo diminuir as emissões com base nas centrais térmicas. (Comentário: felizmente existe investigação útil neste país…).

OUTSTREAM:
A Sociedade para o Desenvolvimento do Programa Polis em Vila Real, S. A., iniciou a construção do “passeio ribeirinho” com início na Ponte da Timpeira e com fim na proximidade das piscinas junto ao rio Corgo. Esta obra é certamente um dos maiores atentados ambientais preconizados na cidade de Vila Real. A margem direita do rio foi completamente destruída com o recurso a maquinaria pesada, que permitiu aterrar parte do canal fluvial e destruir todos os habitats ribeirinhos existentes. Após um ano de avaliação e monitorização ambiental do Corgo urbano, e a entrega de um relatório detalhado, pergunto-me se alguém perdeu um minuto sequer com ele. Este tema será alvo de várias intervenções minhas à medida que surgirem novos desenvolvimentos.
(Para quem quiser saber mais http://www.polisvilareal.pt/polisvilareal.htm)

Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

Co-incineração

Boa ideia Prof.Daniel, uma vez mais fica comprovado que o que o professor queria mesmo era ser Eng. do Ambiente. Mas a vida dá muitas voltas e cá estamos nós a tentar dar um contributo à análise das opções de política ambiental que se tomam cá no nosso cantinho...Assim sendo deixo um tópico polémico...Rui Berkmeier afirmou que a proposta do mais que provável 1º ministro José Sócrates em retomar a ideia da co-incineração: "Há seis meses, talvez a proposta do PS fizesse sentido, mas actualmente o processo está muito avançado", declarou o ambientalista, adiantando que já foi aberto o concurso público para construir dois CIRVER e que os oito consórcios de empresas concorrentes "são muito conceituados" e "investiram muito nas suas propostas".Afinal alguém me sabe explicar qual será a melhor opção para a realidade portuguesa...

Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

A Génese do "B Log In Stream"

"Não há nada tão equitativamente distribuído no mundo como a inteligência: todos estão convencidos de que têm o suficiente".
René Descartes
O tom é obviamente provocador… este blog, que se lê “Be Log In Stream”, surge por ímpeto do “princípio activo” aristotélico sobre este suporte virtual. Espero que, ao contrário do postulado por Lamarck, a aparente geração espontânea deste blog se revele profundamente biogénica, permitindo a discussão e o desenvolvimento, para além do óbvio, de inúmeros temas no âmbito da ecologia, ambiente e afins…
Espero o contributo de todos quer no comentário aos temas "afixados" quer na introdução de novos assuntos, nacionais ou internacionais.
Com os melhores cumprimentos,
Daniel Oliveira